Virtual environment

pexels-photo-551590O mundo virtual tem nos dilacerado aos poucos, tem nos tornado menos humanos. A dor, vista através dos olhos virtuais é como um espetáculo que deve ser contemplado ou divulgado. A dor em sua realidade potencial é algo que não pode ser traduzida em palavras por quem a sente, um mero silêncio é o que naturalmente deveria acompanhá-la em respeito a quem a sente .

Na era da informação instantânea tudo o que fazemos diante da tragédia é espalha-la como se fosse uma boa nova que deve ser contada aos quatro ventos. De certa forma, a virtualidade desdenha a dor, de uma maneira que a robotize.
A pergunta que fica é: Não permitiremos que o silêncio da dor invada nossos lábios até que ela subitamente alcance a nossa vida?
Virtualmente construímos “relacionamentos” tão superficiais com pessoas que nem convivemos ou nunca vimos, parece natural nos sentirmos tão próximos de quem está num mundo paralelo ( o virtual) e em contraponto, nos sentirmos tão distantes das pessoas que estão conosco em nosso convívio diário. As conversas virtuais parecem oferecer mais entretenimento, do que as conversas “tediosas” de domingo. Aquilo que era um cultivo de hamornia e um depósito de boas memórias, desenvolvido nas trocas de experiências e histórias compartilhadas, se tornam ecos  silenciosos no momento em que todos agarram os seus telefones .

A verdade é que a vivacidade da realidade nos assusta, nos faz ficar atônitos porque estamos acostumados com um mundo idealizado por trás das telas. Os sentimentos, os relacionamentos são banalizados por meras palavras supérfluas e vazias de atitudes, por amizades que começam e se findam em instantes sem ao menos ter uma base sólida que colabore para a sua durabilidade.
A superficialidade que encontramos nesse ambiente virtual nos faz sentir tão aceitos e exclusos ao mesmo tempo. O que me parece um tanto contraditório. Temos que buscar os padrões exigidos por cada plataforma para que possamos nos encaixar. Quando se trata do Instagram, por exemplo, você não pode postar qualquer foto (na verdade, até pode, mas talvez não tenha curtidas) porque a sua foto precisa ser curtida e isto faz com que ela seja vista com um índice de aceitável ou não. De acordo, com a quantidade de curtidas que tiver ( como se isso dissesse muito a respeito das intenções e dos significados). Você tem que postar “a foto”, na qual tudo é tão “perfeito e mágico”.
Os olhos se perdem em milhões de janelas e contas, nas quais você se depara com a perfeição idealizada nos remetendo a algo “ordinário”. Quando nos damos conta passamos horas do nosso dia observando fotos, rotinas alheias ou em conversas vazias.
A falta de resposta em mensagens, circuladas pelo mundo inteiro de forma instantânea, nos rouba o dia, traz nos raiva ( frustração) quando nos damos conta de que aquele para quem a mensagem foi enviada está online e não nos respondeu.
Se olharmos para tudo isso atentamente perceberemos que o nosso comportamento infantil vem nos levando a um patamar de imaturidade na vida adulta. Enquanto tudo isso acontece nem mesmo notamos que a internet tem dito que o mundo gira ao nosso redor e nós temos acreditado nessa mentira de forma inconsciente.
Até quando nos perderemos de nós mesmos para que o entretenimento nos faça esquecer os problemas? Até quando ignoraremos as realidades a nossa volta em prol de um mundo aparentemente perfeito?

Publicado por J.S.

A intenção desse espaço é deixar registrado o que AquEle que trouxe vida ao meu ser, tem falado ao meu coração em momentos diversos, onde estou envolta pela sensibilidade e as palavras se tornam a minha expressão mais pura. Ele é o fôlego de Vida em mim, em meu espírito.

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