Me pergunto se de fato amamos aquilo que Deus ama, visto que quando se trata de amar, muitas vezes, o nosso olhar parece tão limitado e tão pouco idôneo. Ansiamos amar em praças públicas ao invés de amar com sinceridade aqueles que estão debaixo de nosso teto.
Vejo dentro de mim tantos anseios que só podem ser traduzidos pela vida de Deus em mim. Esses anseios me guiam para um lugar de renúncia e entrega total em que não há lugar para o egoísmo, mas também há um lugar que me convida a me amar como Ele me ama.
Dentro do casulo, que não mais existe, ele forjou as minhas asas, mas não me ensinou a voar. Me vejo muitas vezes a condenar-me e me acusando como culpada, mesmo sabendo que por Ele já fui absolvida. As aventuras do novo voo me fazem perceber que sou dependente dele e que preciso ser ensinada. Sou ensinada por Ele a receber e dar amor a Ele, a mim e aos outros.
As asas são tão pesadas, muitas vezes, sinto falta do casulo e quero voltar, mas a fluidez de tudo que ele me fez ser, que me tornei, não suportam mais o meu novo peso. Sinto medo do vento que bate no meu rosto, da luz incandescente e das ondas fortes que me alcançam nos dias de tempestade. Os meus voos são ainda tão baixos não vejo boas perspectivas em mim e vejo a diferença que existe em mim que me obriga a usar apenas a mim mesma como parâmetro de comparação.
