Ainda muito pequena eu sonhava com o dia em que os meus sonhos mais irreais pudessem se tornar realidade. De forma destemida e sorridente vivia os meus dias, mas nas atividades diárias os meus medos estavam incumbados nas ondas destemidas do mar que levavam junto com elas a minha coragem de tentar pintar as telas que me propunha a pintar.
As minhas emoções se misturavam com as cores de tintas alegres e apáticas e os meus dedos se sujavam na tentativa de pintura das belas telas. Não sabia como lidar com o turbilhão delas (emoções) em meu interior e, por isso, pedia constantemente a todos a minha volta ajuda com isso. Alguns me olhavam com olhar de obviedade o que me fazia reprimi-las ou escondê-las, algumas vezes.
Aos poucos fui perdendo o meu jeito honesto de criança e fui enfrentando a dura realidade de que os dias não são tão leves e sem preocupações como aparentam para mim. Além disso, passei a vestir os trajes de adulto que fazem com que me encaixe na realidade do que não é, viver assim é fugir da realidade para estar de bem com a vida. Isso me tornei em algum dado momento da tenra infância. Agora, já adulta, percebi que, essa, não quero mais ser.