“Ju, quero que aprenda com eles hoje”
Não estava nos meus planos levá-los ao parque. Tinha preparado uma atividade estática que na minha concepção era o que eles precisavam. No entanto, ao levá-los ao parquinho me dei conta de que aquilo era o que eles precisavam para extravasar a semana conturbada e atípica que tiveram.
Enquanto os observava a brincar me dei conta de que eles viviam a liberdade no sentido total dela. Eles não tinham medo de nada. Eram corajosos para se jogar no novo, nas novas brincadeiras que enfrentavam. Em contrapartida, eu me via preocupada com cada movimento ousado que eles faziam. Pedi conselhos a eles sobre a coragem e me assustei ao ver respostas tão supreendentemente maduras do ponto de vista adulto.

Aos poucos fui me acalmando e permiti que o privilégio de estar no meio deles e do jeito de criança me envolvesse e entrei nas brincadeiras deles sem medo. Fui a fada madrinha quando foi necessário, tentei pegar amoras sem sucesso e até vi uma borboleta diferente de qualquer outra que já tinha visto. Enquanto me perdia no ímpeto da coragem sendo rodeada por eles vi de longe o N. (um dos meus estudantes), sentado assim como na foto, me dirigi a ele e perguntei: “Cansou de brincar?” Ele me disse: “Não, só estou registrando o momento”. Eu disse a ele: “Legal, posso tirar uma foto de você registrando o momento com o seu desenho??” Destemidamente ele disse: “sim.” E abriu um sorriso simples e honesto.
Os aprendizados desse dia não parecem palpáveis, pois eles estão imputados dentro de mim e têm servido como barro nas mãos do oleiro que me molda mais e mais ao seu agrado até que eu esteja pronta para o propósito para o qual me criou e eu sigo aqui me submetendo a ele e aos processos, tantas vezes dolorosos e desafiadores.