17 de março de 2023

Uma escola com vozes que carregam propósitos do céu

Existiam muitas sementes plantadas naqueles solos. Muitos outros trabalhadores tinham vindo antes de mim e eu somente iria continuar de onde eles pararam. É como pensarmos na tocha olímpica que é transferida de um corredor ao outro. Assim foi comigo naqueles dias, as fotos se tornaram escassas, pois os dias foram intensos e praticamente irreais diante de tudo o que já vivi aqui na terra.  A glória de Deus e a manisfetaçao do céu se tornaram palpável. Éramos guerreiras, eu e minhas queridas amigas que batalhávamos em oração. 

Todo aquele sonho começou em um dia despretencioso e amargo, em que o meu coração tinha sido invadido por uma decepção amorosa. Deitei-me na minha cama frustrada e disposta a procurar um filme para escapar da realidade que queria esquecer. Enquanto procurava me deparei com um título que chamou a minha atenção “When calls the heart”, não sabia do que se tratava aquilo, mas logo descobri que se tratava de uma série. Não li a sinopse apenas dei play e segui assistindo. Estava pisando em ovos quando comecei a assistir, porque estava fugindo de todo tipo de cenário romântico, estava pronta a desistir da ideia de assistir caso houvesse algo assim. No entanto, me deparei com a linda história de uma moça jovem que deixou sua cidade, casa e família para ir em direção a um sonho. Ela tinha o sonho de ser professora e foi chamada para tal cargo em uma cidadezinha pequena e de má fama. Ela encarou o desafio com ousadia e temor. 

Comecei a assistir episódio após episódio daquela série e o incrível é que cada história me emocionava de uma maneira que não sei muito bem como explicar.  Cada história única entre a professora, um aluno específico e sua família me fazia perceber o sigifnicado único que ela embutia dentro do coração de cada um. O enredo principal da série de mostrar a profissão/missão da moça se perdeu ao longo das temporadas, por isso desisti de assistir a série em algum momento, mas aquele drama ficou no meu coração. 

Os dias foram se passando e os meus dias na faculdade iam se findando. Me perguntava o que seria de mim, visto que as aulas exaustivas, embrumadas de tédio e cheias de ideologias de Literatura Brasileira e Americana iam fazendo definhar a minha ideia apaixonada sobre o que era o ensino ou a escrita. Estava decidida a nunca ser professora, me assustava a ideia do que era ensinar não tendo Deus como centro de tudo e percebendo que a educação era um caos, um lugar escuro, cheio de terror caótico que nunca poderia ser mudado. No meio de alguns acontecimentos antecedentes me vi no último estágio da vida acadêmica em uma escola onde fui muito bem tratada, mas todos pareciam cansados do ambiente escolar e falavam mal de tudo, inclusive dos alunos. Naquele dia me lembrei dos momentos traumáticos que tive enquanto aluna na escola e decidi que nunca mais pisaria os meus pés em uma escola. Erro vão. 

A história seria muito longa se fosse contar todos os detalhes, mas Deus foi me mostrando o caos no mundo e a beleza que podia existir em poesias escritas por Suas mãos. A poesia começaria a ser escrita quando eu resolvesse me tornar uma personagem de importância em sua história. Uma personagem de importância porque coadjuvantes não tem grande espaço na trama e não se tornam agentes transformadores porque não tem falas,  nem papel principal. 

Resolvi encarar o desafio de participar da história Dele e ele me deu lindos testemunhos para contar que são como grandes montes que com a ajuda Dele já escalei – passando até mesmo entre os vales para escalá-los- eles ficaram atrás de mim porque me sinto pronta para escalar novos montes com Ele. 

No meio do caminho de escalada de cada um dos antigos montes, me vi transbordando amor e amando vidas como nunca antes, olhei nos olhos de pessoas, todas elas, e vi quanto Deus as amava. Percebi que cada atributo físico e também comportamental tinha uma razão para existir. Existiam naqueles corações aprendizes imenso potencial, aptidões e dores. Cenários catastróficos que estavam escondidos em seus corações, cheio da ingenuidade de criança, muitas vezes. 

Foi assim que decidi, apesar de tudo o que já me falaram, que sou chamada para a missão de ser uma professora. Já ouvi as piores coisas: “você não sabe onde está se metendo”, “deve estar louca”, “deveria ter escolhido outra profissão”, “você é muito calma”, “você não sabe o que é estar em sala com muitos alunos”, “ela fala que “amaria ser professora”, pois só fica com algumas poucas crianças na igreja”, “você não quer desistir? Ainda dá tempo”, “quer ganhar “pouco” a vida inteira?”” Você é muito nova”, “você é inteligente demais”. Em algum extremo todas essas vozes já me estimularam ou desencorajaram de alguma forma, mas hoje eu decidi que não importa o que os outros dizem, não fui criada por eles, eles não sabem nada sobre mim. Desejo viver os propósitos do céu e te convido, amigo(a) querido(a) a junto comigo caminhar em obediência enquanto o céu (a Voz no caminho) sussurra a nós os próximos passos que precisam ser dados. 

Ps: encarei cada um dos desafios que as pessoas julgaram que eu não fosse capaz de lidar. E pude perceber que em minhas fragilidades fui sustentada pela graça de Deus. Que foi suficiente. 

– Entre eles, o maior deles em minha opinião: encarei uma sala com mais de 35 alunos falantes (haha), tive que ser firme, mas continuei a amá-los, e tratá-los com amor, mesmo em dias difíceis. 

Publicado por J.S.

A intenção desse espaço é deixar registrado o que AquEle que trouxe vida ao meu ser, tem falado ao meu coração em momentos diversos, onde estou envolta pela sensibilidade e as palavras se tornam a minha expressão mais pura. Ele é o fôlego de Vida em mim, em meu espírito.

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