Cada sentido que ritmicamente confessa a minha falta de exatidão será amplamente percebido por seu olhar atencioso que destila seu doce Amor sobre mim, como o orvalho que ensopa o campo pela manhã. Sei que tudo o que sei é tão pouco, mas caminhar por aquilo que os olhos podem ver parece tão banal, já que tudo aqui é desprovido de todo e qualquer sentido, sem ritmo e sem alegria. As cores são opacas como os dias nublados de inverno.
A falta de sentido não tem muito a ver apenas com o significado, mas com o fato de que tentamos não sentir quando a realidade nos encara de frente tentamos mortificá-lá, afogá-la no devaneio da fantasia, mas tudo o que fazemos é acender alertas que a evidenciarão e tornarão a dor mais profunda e aparente.
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