Sempre me incomodei com o fato de abraçar pessoas e perceber que o perfume delas tinha ficado, de alguma forma, impregnado em minhas vestes. Isso se dava pelo fato de que não queria que o perfume da pessoa em mim fosse mais forte que o meu próprio cheiro. Eu sei, parece um pensamento bem egoísta.
Mas naquele dia foi diferente. Estava orando a Deus por uma resposta que me fizesse desviar os olhos de meu próprio umbigo e me deparei com uma garota cheia de desejo de viver e com um sonho e isso despertou algo em mim.
A Ray (uma das minhas alunas) vestia um jaleco branco e estava muito empolgada com fato de começar a fazer um curso ligado à veterinária. Eu fiquei muito feliz porque fazia tempo que não a via com um sorriso tão verdadeiro, como de criança.
O perfume dela ficou em mim e por incrível que pareça, não me incomodei, pude perceber que fiquei feliz de perceber que a vida era mais empolgante quando víamos sementes brotando na vida de pessoas em quem havíamos investido nosso tempo em oração. A Ray trouxe a mim um novo senso de responsabilidade do quão precioso e desafiador é estar disposto a viver os propósitos de Deus.
O convite da cruz de Cristo é para que deixemos de lado os nossos próprios interesses e coloquemos os interesses dEle acima dos nossos. E o ato de me conectar com o outro e percebê-lo como alguém que Deus deseja alcançar através de mim, com Seu amor, traz à tona a necessidade de morte do meu “eu”. A alegria da Ray naquele dia me “contaminou” e me trouxe uma plena convicção de propósito e sentido. Eu diria que aquele encontro me trouxe um certo temor. Nada nunca foi sobre mim ou nada nunca terminará em mim. Tudo é por Ele e para a glória Dele.
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