Aquele lugar me trouxe memórias que nunca irei esquecer. Não é sobre a história que está impregnada em seus cenários ou nas ruas de paralelepípedo, mas sobre a sua gente.
Existem cenários de fome e sede por vida naquela cidade que nunca vi em nenhuma outra. Há igrejas, muitas igrejas ali, mas as belezas expressas nos símbolos precisam ser vivificadas para significarem vida. Há tanto de Deus, mas tudo o que representa Deus ali parece tão morto. Há muitas riquezas, porém há tantos que mendigam nas ruas.
Naquele meio, me vi sendo invadida por desconcerto diante de coisas que meus olhos nunca viram, e que encaravam agora com tanta estranheza. Me lembrei de passagens da Bíblia sobre as quais sempre tive admiração. Jesus ia a lugares específicos para encontrar pessoas específicas. Ele foi a Samaria para encontrar a mulher samaritana e foi a Decápolis para encontrar o gadareno. E naquele dia no meio do meu erro no percurso me vi presa em um lugar desconhecido por algumas infindáveis horas. Enquanto estava ali, me chamou atenção um homem, a quem Jesus queria encontrar naquele dia. Seu corpo era cheio de caroços e ele oferecia a sua poesia a quem quisesse ouvir para ganhar alguns trocados. Lembro-me de estar orando naqueles dias por compaixão. Quando os meus olhos encararam a figura do “Luiz” fui tomada por compaixão. Dentro de alguns segundos estávamos orando por Ele, falando sobre Cristo, oferecendo a ele o que tínhamos (alimento, abraço). Lembro de vê-lo emocionado dizendo claramente que tinha se sentido muito amado por Jesus naquele dia.
Jesus enxerga aqueles que não são vistos por olhos desatentos. Ele enxerga os rejeitados ou desajeitados. Os “estranhos” aos olhos do mundo. O “Luiz”, o rapaz a quem encontramos tinha sede de Vida e apresentamos a ele através de nossa atenção, abraço, olhares e palavras, a fonte da qual essa água da vida emana. Jesus vive! Jesus vive através de nós! Ele se mostra vivo aos outros através de nossas ações de amor ao próximo.
