Há momentos na vida em que você passa pelos acontecimentos de forma desmedida. Como as crianças que correm ansiosas por não perder nenhum detalhe de um novo momento de diversão. Não há como mastigar ou processar de forma lenta quando o mundo e o tempo ao seu redor passam num piscar de olhos.
Entretanto, mantenho a minha respiração no mesmo passe. Inspiro e expiro de forma lenta tentando ecoar ao meu interior o doce cantar do passarinho que emite a paz de uma certa confiança no Criador. Enquanto respiro, me organizo e processo. Ainda assim percebo que a dor no peito continua.
Os pensamentos seguem o mesmo ritmo dos ponteiros do relógio e do mundo globalizado que gira tão rápido quanto nunca. A era da informação nos apriosiona nas telas e ainda nos fazem reféns da curiosidade. Tento dizer aos meus pensamentos as verdades e certezas que me acalentam e acredito. E durante esse ritual de declarar a mim mesma a verdade de vida, me liberto de mim e da minha ansiedade que quer sempre estar um passo à frente. E ao invés de correr atrás do ônibus, entendo agora que devo esperá-lo no ponto até a sua hora certa de passar. Ainda que não saiba quando será. Disritmo os meus passos acelerados e agora caminho. Sem pressa. No meu passo e na minha estação. No silêncio contemplo a beleza de crescer no escuro.
As sementes que foram lançadas enquanto era noite, foram regadas pelas lágrimas, e crescerão, cheias de vida, em um solo que amanheceu sendo aquecido pelo sol. Por isso, terá assim nova vida. Os lábios cheios de alegria e júbilo cantarão sobre o prazer de não ter desistido da semeadura, pois os feixes da colheita trazem à memória o recado da perseverança que produz um caráter forte. Nos dias de colheita os prantos se tornarão em louvor e as vestes de luto serão vestes de celebração.
