O parto (giving birth to) – it lasts three days

Aquele feto era envolvido em meu ventre por uma camada grossa de algo que não conheço o nome científico. Envolvido pela bolsa uterina aquele ser se desenvolve e cria forma. Os sinais do fim de sua “metamorfose” são os movimentos que faz dentro daquele espaço limitado, se movendo sem sair do lugar, demonstrando assim seu anseio por expandir em direção a outro espaço. O seu posicionamento exato mostra que a hora está bem perto. Sinto como se o meu próprio corpo quisesse expeli-lo. Ele não cabe mais ali. Se tornou além do que minha capacidade poderia suportar.

A medida que a fonte de água escorria do ventre demonstrando a urgência do nascimento, aquele que está dentro continua a lutar pela nova esfera de vida. O útero se comprime, a dor aumenta e o bebê chega cada vez mais perto de ser expelido. Ao sair do ventre a criança sai cheia de sangue e de um liquido branco (que não sei o nome) pelo qual estava empelicada anteriormente, aqueles líquidos e elementos o envolviam enquanto ele estava em preparação para esta hora. Sem ter sido exposto a isso, aquele pequeno ser jamais teria conhecido a vida em sua forma mais “concreta”, nunca estaria pronto para sair para fora.

Em um grito silencioso aquele bebê faz força para sair e segue o direcionamento do meu próprio corpo que o expulsa. Chegou a hora de expandir, de ir além. De habitar o mundo e a eternidade do Deus eterno. Não fomos criados para o cubículo do ventre, fomos criados para ir para fora. Aquela que o compelia finalmente se desfez num piscar de olhos, não comportou o seu peso. Ele está agora naquele espaço ergométrico por si só.

Butterfly

Me pergunto se de fato amamos aquilo que Deus ama, visto que quando se trata de amar, muitas vezes, o nosso olhar parece tão limitado e tão pouco idôneo. Ansiamos amar em praças públicas ao invés de amar com sinceridade aqueles que estão debaixo de nosso teto.

Vejo dentro de mim tantos anseios que só podem ser traduzidos pela vida de Deus em mim. Esses anseios me guiam para um lugar de renúncia e entrega total em que não há lugar para o egoísmo, mas também há um lugar que me convida a me amar como Ele me ama.

Dentro do casulo, que não mais existe, ele forjou as minhas asas, mas não me ensinou a voar. Me vejo muitas vezes a condenar-me e me acusando como culpada, mesmo sabendo que por Ele já fui absolvida. As aventuras do novo voo me fazem perceber que sou dependente dele e que preciso ser ensinada. Sou ensinada por Ele a receber e dar amor a Ele, a mim e aos outros.

As asas são tão pesadas, muitas vezes, sinto falta do casulo e quero voltar, mas a fluidez de tudo que ele me fez ser, que me tornei, não suportam mais o meu novo peso. Sinto medo do vento que bate no meu rosto, da luz incandescente e das ondas fortes que me alcançam nos dias de tempestade. Os meus voos são ainda tão baixos não vejo boas perspectivas em mim e vejo a diferença que existe em mim que me obriga a usar apenas a mim mesma como parâmetro de comparação.

O príncipe que não era encantado

Eu sempre sonhei com ele. De olhos fechados me imaginava olhando em seus olhos e ouvindo o som de sua voz dizendo palavras agradáveis que podiam inflar o meu ego.

Certa vez me peguei desejando que ele viesse logo e com o seu cavalo branco me salvasse da vida enfadonha que levava. Não demorou muito e me deparei com muitos que trouxeram confusão a minha mente com as suas palavras de encanto.

Logo, no fim das contas, me vi sendo arrastada por meus medos e dúvidas a um lugar escuro e frio, cheio de solidão. Ninguém parecia me enxergar ali naquele buraco. Até que o belo homem de olhos nada comuns me avistou de longe e se aproximou.

Quando olhei em seus olhos enxerguei a mim mesma sob novas perspectivas, foi como se me visse sendo resgatada de uma história que não era a minha. Ao olhar em seus olhos vi o meu futuro e me vi correndo como quem não se cansa. O meu coração tinha sede de encontrar Aquele a quem a minha alma ama e em ansiedade eu corria, nada podia me parar. Sou Nele, agora e sempre, livre.

Dor no peito

Os meus atos impensados me levaram as armadilhas da minha dor. A criança que era afastada do grupo sem nenhuma explicação. Fez do ato de exclusão um título para sua atuação no palco da vida. No papel de vítima se manteve até que se viu despida, completamente nua de sua personagem ao encarar um Homem que tinha olhos de fogo.

O choro preso na garganta apeteceu as lágrimas e as deixaram escondidas. Aquilo que outrora fora motivo de vergonha para mim lembrou- me da incumbência sobre os ombros Daquele que viera para ser o Salvador do mundo. Ele se esvaziou, se tornou servo. Esse era o seu papel. Ele venceu a morte, mas antes disso sofreu a dor do desprezo e da rejeição.

As crianças não costumam sentir medo, por isso em sua infância carregam as aptidões que traduzem os tesouros escondidos dentro delas. Marcas do desejo de se render aos braços do Pai Celestial, de ser quem Ele as criou para ser. Ainda assim ao serem submetidas a algum acontecimento ruim, suas memórias ficarão para sempre marcadas com aquela lembrança. Aquela amada criança terá que escolher em algum momento se expor ao processo de cura, oferecido pelo Bom Deus.

Sem a cura essa criança pode ficar presa para sempre no passado sem nunca poder seguir adiante. Sua entrada no palco da vida pode ser marcada por plenitude ou fracasso. Isso depende de qual personagem ela será. Deus nos chama para ser participantes de Sua história, mas para isso precisamos escolher ser os protagonistas.

Ele sempre me olha como uma menina tão pequena a qual Ele é capaz de tomar em Seus braços. Temo dizer que todas as vezes em que me vejo desperta de um sono Ele me convida a sair da inércia, e expor a Ele cada um dos meus anseios e temores, porque é difícil encarar de perto as dores dentro de nós. Eu sentia falta de ser corajosa como antes e Ele me ensinou a voar. Em Seus braços Ele me posicionou e me girou de um lado para o outro. Eu sentia o vento em meu rosto e sabia…estava pronta para aquele voo!

Unidade (cordão de três dobras)

Esse casal, na fotografia, passeava pelo parque parecendo ter uma séria discussão, em espanhol, sobre determinado assunto que parecia ser de extrema importância para ambos. Eles não se importavam com quem passava por perto só estavam interessados em resolver o assunto.

Lembrei-me de certa vez que um querido aluno me perguntou: “Professora, o que é o amor?” Confesso que não pensei muito bem antes de respondê-lo, mas imediatamente me dei conta de que ele se referia sobre como seria definido o amor entre duas pessoas. Respondi a ele que “amor” não era um sentimento, mas uma decisão.

Há aquele versículo que diz: “ Porventura, andarão dois juntos se não estiverem de acordo?” Aquele casal andava junto e, mesmo que inconscientemente, tomaram a decisão de não deixar de caminhar juntos independente das divergências que poderiam ter ao longo daquele caminho. O acordo não é concordar, mas escolher ficar e se comunicar para chegar a um senso comum que beneficie ambos de forma consciente e respeitosa.

Casal no parque

Um desejo

Quando eu te encontrei, tão de repente , nem notei o quanto você poderia soar como resposta a uma oração, ignorei todos os fatos que desfavoreciam o meu encanto. Queria que a luta que travei comigo mesma no instante em que te conheci perpetuasse ao longo de todos os outros momentos que estariam por vir, mas assim não foi. Dizia a mim mesma que não deveria querer ser ninguém além de mim, no entanto de alguma forma me perdi. Não o culpei no início, mas logo pus sobre os seus ombros a culpa parcial, passado algum tempo novamente coloquei sobre os meus toda a culpa. Queria te dizer que sinto a sua falta e de repente aparecer na sua vida contrariando todo o meu orgulho e o meu jeito de não ser, mas notei que ainda sinto falta é de mim. E nesse sentir não cabem palavras ou gestos, somente me falta. Sempre achei que perguntas honestas deveriam ter a chance de ser respondidas por alguém que estivesse dispostos a isso ou que tivesse alguma resposta a acrescentar, porém as coisas nem sempre são assim, por isso acho melhor não te incomodar, com algo que considero um tanto insignificante e talvez até pouca coisa. Honestamente não sei o que está por vir, mas sigo aqui, a confiar em Deus ainda que a confiança deixe de existir.

(Arquivo: ano/2019)

Ilha (carta para amigos do life group)


E foi num daqueles sábados de março que eu me movi em direção às águas desconhecidas. Deixei o barco e os meus pés tocaram a água fria de forma destemida. As minhas mãos estavam nas Suas, porém o medo assombrava o meu coração. Olhava adiante e a amplitude do mar parecia demais para mim. Ainda assim, o que ecoava em minha mente, como um gesto de protesto contra mim mesma, era o grito que dizia que eu não desistiria de tentar mesmo que o meu ser não se sentisse confortável ali. Seria obediente até o fim.
Todos os eventos em seguida foram surpreendentes. Ao chegar naquele local rostos desconhecidos estavam debaixo daquele teto e dentro de mim não pude acreditar estar num lugar assim, me sentindo tão sem sentido, tão deslocada.
Lembro-me daquele dia em que decidi não ser levada pela correnteza do passado e me vi de olhos fechados naquele lugar me perguntando porque era tão difícil me sentir confortável naquele ambiente. Seria aceita por aquelas pessoas? Elas pareciam tão diferentes de mim….Tua doce voz só me disse “eu te amo tanto, filha! E quero que você esteja aqui”. Eu não conseguia entender.
O desconforto foi parte do processo que me fez entender que ver uma semente crescer dentro de mim é dolorido.
O que sei hoje, mais do que nunca, é que a vontade perfeita de Deus é sempre confiável, mesmo quando não entendemos, pois Ele é capaz de ver o plano completo. O que descobri é que não quero viver em uma ilha. Não quero mais viver só. É muito bom estar na presença de Deus e com os santos.
Cada ser humano precioso, nesse espaço demográfico, chamado life group, me fez compreender que as pessoas nos ajudam a crescer e precisamos delas.
É um erro orgulhoso afirmar que não precisamos das pessoas.
Dentro de mim hoje o que Deus fez florescer é um pedacinho do que cada um de vocês semeou em minha vida através de cada gesto singelo. Existem coisas dentro de mim que foram curadas e transformadas por Deus através da vida de cada um.
Eu não seria a Juliana que sou hoje sem ter tido de forma expressiva um pedacinho do que cada um de vocês depositou em mim de forma amorosa. O meu muito obrigada a todos vocês! Obrigada por demonstrarem o amor de Deus através dos seus atos e por insistirem em me amar com esse amor! Amo vocês!!

His wedding day

Dear friend,

you reminded me of a quiet night.
you used to watch the people and also the animals on the streets along the night. While you were watching the snow falls down sitting on an old bench, listening to an instrumental music, you’ve wondered about meaning of the life.
Your questions sounded as whisper in the God’s ears…I think that He heard you…finally you opened up the door to Him. And He came in.

By: J.S.

I need a table with You (I just need to spend some time with You)

I feel dislocated in every ordinary space, because my heart belongs to nothing but you. I need You. I need to belong to You. Cause when I belong to you I know who I am and I find my place.

A long time ago I used to think that all these damns feelings didn’t have place in my heart but when I let him into my mind I feel invaded by all of this

I sat in your table. In that place where I feel comfortable and I feel free to be myself and there I found everything the liar wanted to steal from me. I find joy, peace and your sweet love. I look into your eyes and I feel at home.

O pico do monte – parte I

Aquela parecia ser a montanha mais alta que os meus olhos já haviam encarado. Não me assustei com a ideia de que ainda estava no vale e mal podia enxergar o pico daquele monte. Perto dos vales em que meus pés ainda pisavam podia ver de longe algumas cavernas silenciosas e misteriosas que me davam medo de explorar sozinha.

Papai me dissera mais cedo, antes de sair de casa, que assim que terminasse de trabalhar em seus engenhos de jardinagem iria me levar a um passeio aos desconhecidos bosques próximos de nossa casa. Eu cansei de esperar. Ele não me disse, ao certo, quanto demoraria, por isso acabei contando o tempo de acordo com as minhas expectativas limitadas e considerei o que significa tempo demais para mim. Acabei saindo de fininho enquanto ele estava distraído, acredito que ele nem tenha notado tão cedo a minha ausência.

Sentia no meu coração de menina um forte desejo de ter a presença de papai naquele lugar comigo. Andar de mãos dadas com ele faria com que me sentisse segura para escalar ou pisar nas pedras pelo caminho. Apesar disso, criei coragem para olhar em outras direções e percebi que a paisagem era bela. Daquelas vistas de tirar o nosso fôlego, sabe? Ouvia de longe um barulho de torrentes de água que pareciam desabar, pelo som extremo que faziam. Aquelas percepções alimentaram a minha curiosidade com ousadia e pude enfim criar coragem para ir em direção ao pico daquela montanha, sem medo do perigo. Tudo o que já tinha visto ali, trazia a minha alma uma paz sem fim, gostaria de contemplar esta beleza lá de cima e ter uma visão ampla de tudo o que isto é.

Enquanto dava os primeiros passos nessa jornada, pude ouvir de longe uma voz conhecida, poderia dizer familiar, era a voz do meu Pai, ele corria em minha direção, pronto para me acompanhar. Antes de ouvir o meu pedido de desculpas, ele me abraçou. Fiquei toda encabulada, pois, confesso, esperava uma bronca daquelas. Ele se ofereceu para me guiar pelo caminho que ele já havia feito algumas vezes em direção ao topo. Fiquei surpresa ao ouvir as suas palavras, visto que nunca imaginaria que ele houvesse ansiado por algo assim. O que haveria de tão encantador ali que faria papai visitar e fazer essa escalada tantas vezes assim?