Aquele feto era envolvido em meu ventre por uma camada grossa de algo que não conheço o nome científico. Envolvido pela bolsa uterina aquele ser se desenvolve e cria forma. Os sinais do fim de sua “metamorfose” são os movimentos que faz dentro daquele espaço limitado, se movendo sem sair do lugar, demonstrando assim seu anseio por expandir em direção a outro espaço. O seu posicionamento exato mostra que a hora está bem perto. Sinto como se o meu próprio corpo quisesse expeli-lo. Ele não cabe mais ali. Se tornou além do que minha capacidade poderia suportar.
A medida que a fonte de água escorria do ventre demonstrando a urgência do nascimento, aquele que está dentro continua a lutar pela nova esfera de vida. O útero se comprime, a dor aumenta e o bebê chega cada vez mais perto de ser expelido. Ao sair do ventre a criança sai cheia de sangue e de um liquido branco (que não sei o nome) pelo qual estava empelicada anteriormente, aqueles líquidos e elementos o envolviam enquanto ele estava em preparação para esta hora. Sem ter sido exposto a isso, aquele pequeno ser jamais teria conhecido a vida em sua forma mais “concreta”, nunca estaria pronto para sair para fora.
Em um grito silencioso aquele bebê faz força para sair e segue o direcionamento do meu próprio corpo que o expulsa. Chegou a hora de expandir, de ir além. De habitar o mundo e a eternidade do Deus eterno. Não fomos criados para o cubículo do ventre, fomos criados para ir para fora. Aquela que o compelia finalmente se desfez num piscar de olhos, não comportou o seu peso. Ele está agora naquele espaço ergométrico por si só.

