18/12/19 – às 11:37

Meu caro,

 

Escrevo-te hoje a caminho de uma longa e tortuosa aventura. Tenho ao meu lado duas preciosas vidas que não sabem muito sobre os seus valores aos olhos do Pai. Refletindo sobre isso em silêncio, me dei conta de que muitas vezes não me sinto capaz e não pareço ser a pessoa certa para falar ou para fazer algo. Tudo o que a minha alma queria, era dar um grito de agonia, mas a cidade agitada sufoca os ecos de liberdade da alma, seus ruídos são tão familiares. As pinturas nas paredes, a falta de sincronia do tempo que tem os homens rendidos aos seus pés, ao invés, de ser o contrário.

J. S.

As feridas dEle eram também as minhas

Certa noite, eu comecei a sonhar sobre o dia em que coisas incríveis poderiam acontecer, e de repente me vi invadida por uma sombra escura do passado que trazia à tona cada um dos meus pensamentos de incapacidade.

Me vi como Davi, com uma funda e cinco pedras lisas escolhidas à beira do rio, prestes a lutar com Golias e com a certeza de que o venceria pelo poder que há no nome do Senhor. Mas percebi que os mesmos medos e inseguranças que habitavam no coração de Saul, de alguma forma, queriam me paralisar.

O Senhor me chamou a luz do dia e me mostrou a minha identidade refletida no espelho da Palavra. Ele me lavou com a sua água, me fez pura e me apresentou à nova mim. Sim, ele me disse que o meu passado já não existe e agora vivo na luz e nEle tudo se fez novo. Sou nova criatura escondida em Cristo e em suas cicatrizes, que me trazem vida em plenitude e que me curam completamente.

29 de agosto de 2020 às 20:00

Seremos sucumbidos por nossos anseios, de tal modo a agir irracionalmente, com medo por caminhar sem enxergar resquícios daquilo que ainda há de vir.

Desesperados contemplamos os nossos medos e nos esquecemos da poesia que há na bela melodia cantada pelo pássaros ou pelo singelo gracejo das notas acentuadas da primeira sinfonia de Beethoven. Que sensibilidade traz à alma a música!

o Bom Pastor

E AquEle que era dono de todas as batidas do meu coração, me fez encarar de perto cada uma das minhas francas fragilidades (anlık). E aquele momento me fez ciente da falta de sensibilidade em meu eu.
Cada parte humana em mim foi ficando oca, como uma casa prestes a ruir. Todas as capas de religiosidade foram retiradas , tudo o que fui obrigada a enxergar era a simples, nua e crua, Verdade.
Aos poucos perceber os ecos das paredes que caíam sobre mim, me fez notar que o orgulho era o que sustentava aquela edificação hostil. O que via sobre cada tijolo era rebeldia, obstinação e hipocrisia. Existia em mim grande parte que queria olhar para trás com grande anseio de ter em que agarrar, mas aquilo que escolhi deixar lá, no passado, já não faz mais parte de quem hoje sou. Desde daquele dia, em que encontrei o Meu Amado, decidi seguir adiante sem ter para onde voltar. A direção que agora sigo me leva aos braços dEle.
Tudo o que tenho é tão pouco comparado ao que Ele já me deu. Ao lado dEle tenho uma alegria plena invadindo cada lacuna do meu ser.
Nos Seus braços, Ele, o Meu Amado, me abriga e com tamanha singeleza me leva por um tortuoso caminho escuro.

A minha alma sentia muita falta de casa e as guerras eram frequentes, pareciam não ter fim, tudo o que avistava era o breu a me invadir, como ondas fortes se quebrando sobre o meu pequeno barco. Em Suas mãos o sangue escorria do corpinho esmorecido do leviano ser amado.
A pelagem escurecida e suja mostrava que este havia habitado lugares ermos e longíquos, onde não se pode imaginar que esteve. Enquanto as sandálias do Bom Homem tocavam o solo endurecido em passos silen-
-ciosos o ser amado, desmaiado, seguia vegetal em Seus braços. Havia outros seres no rebanho, com quem Ele frequentemente se preocupava, no entanto, aquele que estava com o Pastor se perdera há muitos dias atrás, por isso, a sua falta O fez deixar as noventa nove para resgatá-lo. Ele finalmente o encontrou e o trouxe de volta ao lar, junto aos seus. Depois de cuidar de seus ferimentos o levou a pastos verdejantes para experimentar novamente as boas pastagens. A alegria no olhar dEle poderia ser descrita como o olhar de um Pai ao ter seu filho perdido de volta ao lar.

Glossário:

  • Anlık – uma palavra em turco que dentre alguns de seus significados significa “instante”. No texto acima se denomina como fragilidade, pois esta nada mais é do que uma vulnerabilidade exposta de forma instantânea.

My Dear One knocks the door

You knocked the door

I shut the door

I glanced at my hands and saw the key

then I locked the door.

I was expecting for someone

I wish I could find You and contemplate Your beautiful eyes

and see Your face.

I would have opened the door for You.

You knocked the door again and

I opened up my heart to You

“Come in, please” I said

You came in and sat down in an old armchair in the corner

I cannot take my eyes off you.

Your lovely words are poetry for me

Your voice sounds like birds song

I cannot notice, but my lips said “I love you more than words can say”

Your eyes said the same thing in a corresponding way

Instantly You said ” I love you so tenderly”.

03 de ago de 2020 às 08:56

No meio de tantas situações atípicas, continuo eu contando com o meu Pai, pois sei que Ele tem em Suas mãos o controle de todas as coisas.

Não tenho as palavras certas para escrever um texto “ideal”, no entanto, gostaria de deixar registrado aqui algumas palavras “murchas”.

Quando costumava estar embriagada pela ventania, do que se chama o pensar exacerbado, senti a Tua mão, Amigo Fiel, a segurar a minha. Remávamos em direções contrárias. Tudo estava fora de lugar. Eu estava completamente desesperada, com medo, mas Ele me fez um convite: confie, ainda que não sinta, não veja e não entenda.

No meio da ventania eu me perdi de mim, mas me encontrei em Ti. E sempre me encontrarei porque Tu és a minha vida.

Um punhado de introspecções

Lembro-me daqueles dias em que vivia distraída pelas “preocupações” de criança. Seria muito dizer que o tempo parecia eterno naqueles dias? Mal sabia que naquela época só nos faltava mesmo era ciência disso. Você sabe, do tempo. Sinto falta do meu coração de criança que amava de forma inocente e destemida e que se encantava com as histórias contadas e com as figuras destas mesmas histórias.
Agora meus olhos se tornaram desinteressados sobre os fatos e pelas belas coisas da vida. O meu coração, por outro lado, parece anestesiado pelas circunstâncias da vida. Os anos tem passado em um rápido piscar de olhos. Nem me lembro a idade que costumava ter ou até mesmo a que tenho. Em algum dia desses, me peguei reunida com a minha família em uma roda de conversa – coisa rara, hoje em dia – prosando sobre doces memórias do passado que roubaram de nossos lábios os mais singelos sorrisos.

Parafraseando a “Canção do Exílio”

Que saudades tenho eu
Ó daquela terra, que nunca conheci
A liberdade que flui dos seus montes sem fim
As ruas de paralelepípedo que roubam pés descalços
Dos olhares honestos que nunca vi

Os dias amanhecem mais cedo
E os pensamentos permanecem sem freio
Nas mentes em que deles, não há anseio
Que vida é para se viver e não sonhar?
Sonhar na sombra da nuvem faz cair
Os medos embrumados de patifes faz sonhar
Sonho é feliz se alcançar
Enquanto vivo, sinto falta de lá.

Pai Celestial

O que dizer sobre tudo o que Tu és? Faltam até mesmo palavras para descrever as peculiaridades da Tua grandeza. No Teu coração moram os mais ternos e verdadeiros sentimentos e percepções sobre a criação e os seres criados. Aquilo que Tuas mãos criaram é a perfeita harmonia entre os Teus mistérios e os Teus anseios. Se tornam tão redundantes os meus pensamentos e as minhas palavras quando tento descrever uma mínima porcentagem da magnitude de tudo que Tu és, Grande Eu Sou. És Tu o Único Digno de toda honra e glória. Meus dias seriam completamente insignificantes sem a Tua doce companhia. És constante e indescritivelmente fiel.  O que dizer do Teu Amor? Ou da Tua justiça?

A minha “irrelevância” nunca será suficiente para agradar o mundo

Eu não tenho mais forças – não sei, se algum dia já tive – para tentar manter por perto aqueles que nunca ficarão. Eu estou muito cansada de tentar agradar a tantos outros, que não o Meu Senhor. Nunca serei suficiente sendo apenas eu? Não, isso está nitidamente claro. O meu empenho tem sido vão. Tenho corrido atrás do vento como uma folha qualquer. No entanto, os Teus olhos me dizem tanto sobre o verdadeiro valor e sobre o Amor. Sobre o meu valor. E o Teu coração, Senhor, é o que devo me empenhar em agradar. Os Teus olhos enxergam o mais profundo oco do meu coração.

Como aquela rosa que já fora bela e cheia de vida, e agora torna-se seca e sem vida. Tal fatalidade não assusta ao Teu coração, porque os Teus olhos enxergam além das circunstâncias. Os Teus olhos percebem que seu doce cheiro permanece vivo, debaixo de toda aquela aparente falta de vida (morte). Os Teus olhos enxergam a Vida em lugares onde há morte. Porque o Senhor é a própria Vida em nós.

O que nos cabe ao estarmos cansados, é descansar em Ti e mergulhar em Tua graça sem fim. É suficiente agradar a Ti e ser arrebatada e constrangida por Teu doce amor.