Sou frágil demais. Somos frágeis demais. Não é uma fraqueza admitir tal característica própria de todo ser que tem vida, que pode respirar. Nada somos, além de pó. Se nesse instante, por exemplo, eu perdesse qualquer um dos meus movimentos, conheceria a invalidez em algum âmbito do meu corpo, uma parte dele estaria doente (logo, o funcionamento completo do meu corpo estaria comprometido), ainda que por fora (pela crosta externa) meu corpo pudesse ser visto plenamente inteiro. Se o meu coração parasse de bater…puf!…lá se foi a vida. Se o meu cérebro não pudesse mais pensar o que seria de mim? Somente alguém que existe, mas não tem ciência de sua existência.
A opinião acima foi expressa com o intuito de falar sobre a fragilidade humana, isso não tem nada a ver com força, nesse raciocínio a força não tem equivalência. A fragilidade nos faz humanos, vivos de certa forma. Imagine uma rosa, um ser vivo que respira e é dependente do fenômeno chamado fotossíntese, se ela perdesse uma de suas pétalas já não seria inteira. Seria como arrancar um braço dela, ou algo assim. Não conheço muito de plantas, não possuo conhecimentos biológicos para falar sobre isso, mas imagino que a falta de uma parte sua, de uma simples pétala, iria degrada-la dia após dia até a sua morte. As partes formam um todo que funcionam e trabalham em conjunto para formar aquilo que chamamos de sobrevivência. Se houver defasagem o conjunto irá perder uma parte que faz o todo funcionar. Não que ela seja a parte mais importante, mas como todas as outras é essencial, pois antes de serem um todo, juntas elas são um. Não imagino que uma mente tão pequena e limitada ( digo, limitada porque existem muitas coisas que jamais serão inteiramente compreendidas pela mente humana, ou pela sua ciência) como a que temos poderia pensar em algo tão genial e magnífico, do qual nunca conseguiremos ter completo entendimento. A fragilidade não se trata de perfeição, mas de ser desnudo (emocionalmente) em instantes, de admitir erros, de tentar lidar com as frustrações, de se amar mesmo com suas limitações, de tentar não cometer os mesmos erros. Lidar com a dor (senti-la), mas não idolatra-lá. A fragilidade é instante. É como pisar em ovos, literalmente.
Falar disso, me fez pensar em situações corriqueiras (na verdade, nem tão corriqueira assim) como a que exemplificarei abaixo:
Havia um poço. Você não sabia como sair dali. Um dia Alguém te resgatou daquele poço. Te trouxe novamente para superfície, onde você pôde respirar, cantar, se emocionar, sonhar ( com wonderful things). A vida se transformou num grito de esperança e renovo a cada dia. A vida cantava lindos versos de emoção para você. Você se via apaixonada pela vida. Se olhava no espelho e sentia vontade de abraçar cada pedacinho de você que foi feito a partir das Carinhosas mãos do Criador. “Tão única Ele te fez”, você pensava. Até que num dia corriqueiro, você ouviu alguém gritar por socorro. Corajosamente você seguiu os ecos do som, então chegou a um poço. Aquele poço no qual estivera presa antes. A voz vinha dali. Um rapaz gritava por socorro. Ele precisava de ajuda para sair dali. Você prestativamente deu a ele os mesmos conselhos que julgava ser os exatos para sair dali. Mais no meio disso, você se perdeu. Viu os olhos dele, se distraiu. Foi afundando aos poucos e não pôde ajudá-lo. Esqueceu de se manter viva. E apenas pensou sobre a sobrevivência dele. Se esquecer da sua própria sobrevivência, não te fez bem. Se não fez bem a você, não faria a ninguém. Você esqueceu de guiar aquele moço ao caminho real. Talvez você tenha se julgado ser o caminho. Mas você não era. Agora, você vem tentando sair do poço. E eu sei que você conseguirá, quando deixar de olhar para trás, e enfim olhar para frente.
Somos frágeis demais, não podemos tirar alguém do poço sozinhos (com nossas forças). Não podemos carregar o outro em nossas costas e ter força para continuar. Se esse alguém não quiser sair, também não podemos tirá-lo, senão acabaremos no fundo do poço junto com ele. Tudo o que podemos fazer é dar a ele a mão, se ele quiser. E permanecermos com a nossa mão agarrada Aquele que de fato, nos ajudará a sair dessa prisão. Aquele que é a nossa força. A mão dEle não nos deixará a mercê de nós mesmos, de nossas próprias forças. Você sairá desse abismo no fim de tudo, pois Ele está contigo.