A casa está vazia.
O ruído das risadas se tornaram ecos,
Agora parecem tão distantes…
Sinto saudades da última primavera, ela tirou dos meus lábios um riso singelo que refletia esperança…há algum tempo ele se foi.
Olho ao redor e tudo o que vejo é o caos.
O mundo está desabando lá fora,
E de algum jeito a minha esperança ainda está no Seu abraço.
No anseio desse abraço.
Corro para algum canto escuro, onde os meus pensamentos possam ser calados pelo silêncio do Seu olhar, e encontro abrigo em Teus braços, o meu lar.
Estou aqui e vim te dizer: olá!
Um encontro
O pedido de socorro vinha de mim. A minha alma sentia falta de casa e vinha encontrando abrigo na perturbação alheia de forma a se sufocar dentro de si mesma em meio ao vazio constante. Por paz ela gritava: “ paz….pazzzzzz…paz …paaaaaz…tudo o que eu quero é paz. Onde poderei encontrá-la? “Inconscientemente ela se questionava em passos vacilantes, que vagueavam em direção a escuridão.
O caos gritava com uma “euforia” aparente ecoando como o mais profundo vazio. Tudo o que os meus olhos viam era a pobreza de não querer ser menos do que era. A autossuficiência que insistia em querer ser, ainda que o fracasso humano o dissesse que não era. Esse fracasso insistia em escancarar as fragilidades. Estas que inutilmente insistia em negar. Naquela noite, em que tremenda agonia dominava o meu peito, em lágrimas vi a minha alma encontrar: lar , paz e descanso, sendo uma Contigo, se entregando a Sua Pessoa, querido Jesus.
Amanheceu

Hoje acordei com a impressão de que o aperto constante, que tem habitado meu peito, se iria de alguma forma. No entanto, este meu ingênuo desejo pareceu vão por um tempo. Despertei a mim mesma em mais um dia com aquele tormento desesperador em meu peito.
Não há em minhas manhãs somente gritos internos que ecoam o vazio, há também recordações, quase esquecidas ao abrir os olhos, dos pesadelos da última noite. As perturbações constantes em minha mente causadas pela ansiedade e pela falta de autocontrole me assustam. Cada sorriso que tento dar ao me olhar no espelho ou ao tentar tirar uma foto parece um esforço de fazer real o que não existe. Não sinto vontade de sorrir, esta não tem sido uma realidade presente nesses últimos dias, mas ainda assim, existem dias que eles (sorrisos) acontecem… livres de pressões e cheios de espontaneidade.
Tudo o que eu queria era sorrir em meio ao caos. Tudo o que eu queria era fazer mais do que um simples texto com determinados pontos, reflexões, formatos adequados ou doces palavras que agradem os olhos. Eu queria mais do que isso.
Porém acredito que isso tudo só seria possível com a intervenção da paz. E que paz seria essa?
Bom, esta manhã, ao acordar, eu fiz uma oração. Acho que Ele me ouviu. Senti uma doce paz invadir cada parte de mim.
Processos
Costumava pensar que alçar voos era um mero privilégio que o Criador deu as aves, porém rencentemente descobri que esta habilidade é algo similar a começar a caminhar. Faz parte de um desenvolvimento que se dá através de práticas diárias, que por resultado final se transforma em um voo.
A altura não importa muito. Dimensões e medidas não possuem muita equivalência aqui, pois o resultado vem da profundidade do aprendizado, isso sim, torna-se um grande voo. Aquilo que cresce longe de todos os olhos, no secreto, no caminhar mesmo em percalços, leva-nos a altos voos. A profundidade nada mais é do que o mais fundo que a dor pode chegar para que dali brote vida. Quando a vida começa a florescer, cambaleantes pelos ventos começamos nosso voo.
Virtual environment
O mundo virtual tem nos dilacerado aos poucos, tem nos tornado menos humanos. A dor, vista através dos olhos virtuais é como um espetáculo que deve ser contemplado ou divulgado. A dor em sua realidade potencial é algo que não pode ser traduzida em palavras por quem a sente, um mero silêncio é o que naturalmente deveria acompanhá-la em respeito a quem a sente .
Na era da informação instantânea tudo o que fazemos diante da tragédia é espalha-la como se fosse uma boa nova que deve ser contada aos quatro ventos. De certa forma, a virtualidade desdenha a dor, de uma maneira que a robotize.
A pergunta que fica é: Não permitiremos que o silêncio da dor invada nossos lábios até que ela subitamente alcance a nossa vida?
Virtualmente construímos “relacionamentos” tão superficiais com pessoas que nem convivemos ou nunca vimos, parece natural nos sentirmos tão próximos de quem está num mundo paralelo ( o virtual) e em contraponto, nos sentirmos tão distantes das pessoas que estão conosco em nosso convívio diário. As conversas virtuais parecem oferecer mais entretenimento, do que as conversas “tediosas” de domingo. Aquilo que era um cultivo de hamornia e um depósito de boas memórias, desenvolvido nas trocas de experiências e histórias compartilhadas, se tornam ecos silenciosos no momento em que todos agarram os seus telefones .
A verdade é que a vivacidade da realidade nos assusta, nos faz ficar atônitos porque estamos acostumados com um mundo idealizado por trás das telas. Os sentimentos, os relacionamentos são banalizados por meras palavras supérfluas e vazias de atitudes, por amizades que começam e se findam em instantes sem ao menos ter uma base sólida que colabore para a sua durabilidade.
A superficialidade que encontramos nesse ambiente virtual nos faz sentir tão aceitos e exclusos ao mesmo tempo. O que me parece um tanto contraditório. Temos que buscar os padrões exigidos por cada plataforma para que possamos nos encaixar. Quando se trata do Instagram, por exemplo, você não pode postar qualquer foto (na verdade, até pode, mas talvez não tenha curtidas) porque a sua foto precisa ser curtida e isto faz com que ela seja vista com um índice de aceitável ou não. De acordo, com a quantidade de curtidas que tiver ( como se isso dissesse muito a respeito das intenções e dos significados). Você tem que postar “a foto”, na qual tudo é tão “perfeito e mágico”.
Os olhos se perdem em milhões de janelas e contas, nas quais você se depara com a perfeição idealizada nos remetendo a algo “ordinário”. Quando nos damos conta passamos horas do nosso dia observando fotos, rotinas alheias ou em conversas vazias.
A falta de resposta em mensagens, circuladas pelo mundo inteiro de forma instantânea, nos rouba o dia, traz nos raiva ( frustração) quando nos damos conta de que aquele para quem a mensagem foi enviada está online e não nos respondeu.
Se olharmos para tudo isso atentamente perceberemos que o nosso comportamento infantil vem nos levando a um patamar de imaturidade na vida adulta. Enquanto tudo isso acontece nem mesmo notamos que a internet tem dito que o mundo gira ao nosso redor e nós temos acreditado nessa mentira de forma inconsciente.
Até quando nos perderemos de nós mesmos para que o entretenimento nos faça esquecer os problemas? Até quando ignoraremos as realidades a nossa volta em prol de um mundo aparentemente perfeito?
Amor Próprio

De alguma forma – dentro de mim – a mudança acabou afetando a minha autoestima. Talvez ela ( a autoestima) nunca tenha sido sólida o suficiente para enfrentar uma mudança tão “brusca” quanto esta.
Meu cabelo é naturalmente cacheado, porém desde os 13 anos eu procurava mantê-lo liso com diversos produtos químicos e chapinha. No entanto, num dado momento da minha vida decidi parar de ferir o meu cabelo (na verdade, estava a ponto de ficar careca). Foi então que aparentemente as coisas começaram a mudar…
Há mais de um ano eu cortei o meu cabelo. Antes disso o meu cabelo vinha de um longo período sem o contato com produtos químicos. Por dois anos não fiz nada nele, somente chapinha. Porém, em meados do ano que se passou me vi totalmente exausta (ou cheia de preguiça) de escovar o cabelo a cada vez que o lavava. Eu costumava levar de duas a três horas fazendo chapinha nele. Um dia o cansaço dessa rotina, chegou ao seu ápice, passei esse tempo médio cuidando do meu cabelo e uma hora depois ele estava totalmente armado como se não tivesse feito nada nele. Foi então que me revoltei e resolvi não perder mais tanto tempo fazendo chapinha e deixá-lo, enfim natural. Nesse período, o meu cabelo ainda tinha resquícios de produtos químicos, ele estava crescendo, mas ainda havia pontas lisas que o fazia ficar com duas texturas simultâneas. Acredito que tudo isso foi mexendo aos poucos com a minha autoestima e com o jeito que me enxergava diante do espelho. Confesso que no início estava otimista.
Em meados de março pedi que a minha irmã cortasse as pontas lisas do meu cabelo ( mas, não fiquei satisfeita com o resultado). Meu cabelo estava ferido, maltratado. E eu? Eu queria que ele fosse o que eu queria que ele fosse. A verdade é que depois dali, não tiveram muitos dias em que me senti feliz ou satisfeita com ele. Cada vez que me olhava no espelho ou em fotos gostava menos de como me via com o meu cabelo. Não estava satisfeita com o meu cabelo, mas ao mesmo tempo não me conformava com essa situação. “Esse é o meu cabelo, eu quero amá-lo”, “ele faz parte de mim, não posso e não vou aceitar este tipo de pensamento” , “ o meu cabelo não me define, e sim o que está dentro de mim”, eu pensava.
Aos poucos, fui deixando o amor que tinha por mim morrer. Mas isso não começou com o desencadeamento desta mudança. A minha autoestima já estava frágil há algum tempo, mas só me dei conta disso quando me vi longe de relacionamentos tóxicos – não entendi a falta subta desses relacionamentos em minha vida, somente agradeço a Deus por saber o que é melhor para mim – que nutriam em mim a falta de interesse por mim mesma. Eu buscava sempre me ver de acordo com as perspectivas alheias e esquecia de me interessar por mim, de me amar, de olhar para mim. Eu vivia de migalhas daquilo que o olhar de interesse do outro via através de mim. Meu ego vinha se alimentando, ele foi posto em um pedestal, se sentia cheio de si, no entanto, o meu amor próprio definhava. Quando ao olhar do outro o brilho do novo se dissipou me tornei apenas uma folha jogada a qualquer vento. Como uma folha qualquer de outono fui descartada. Me senti nada. Isso só piorou enquanto continuava a nutrir dentro de mim a falta de amor e interesse por mim. Por muito tempo, deixei de ser eu mesma com medo do que os outros pensariam ao meu respeito e perdi a espontaneidade de viver.
Eu sei que tudo parece girar em torno do amor próprio e de como eu me tornei desinteressante para mim, mas gostaria de deixar claro, que não considero ninguém tão culpado quanto eu. Eu tenho alguma culpa. Eu tenho culpa.
O que eu posso dizer? Geralmente se espera que todo texto apresente uma conclusão ou solução, mas admito este não terá um. O que tenho tentado fazer é entender os meu conflitos internos ( com a maravilhosa ajuda de Deus, é claro ) e sempre que não me sinto bem comigo mesma ( com a minha imagem diante do espelho) procuro dizer a mim mesma que “ não é porque hoje eu não me sinto bonita que este pensamento me defina, o que de fato me define é o olhar de Deus sobre mim”, pensar assim tem me ajudado. Existem dias em que amo o meu cabelo, em que me acho bonita, mas há dias em que não me sinto assim. Me sinto feia, na verdade, mas não tenho permitido que esse “sentir” me defina.
De certo modo, tenho percebido em mim um jeito imaturo para lidar com as consequências impensáveis das incertezas do futuro. Tenho certeza que todo esse conflito me trará maturidade se eu estiver disposta a lidar com ele.
Um “interesse” vão

Existe em mim, interesse por ti.
Interesse promíscuo, talvez.
Gostaria de definir em palavras o quão vazio isto é.
A objetividade não tem especificidade para definir o tamanho do desinteresse que tenho por ti.
Desinteresse sincero, talvez. Ainda assim, um tipo de interesse.
[Glossário
* Interesse – se define como uma aventura guiada pela curiosidade na ânsia de desvendar o novo. Se esvai em segundos logo após a descoberta. ]
O ar que eu respiro
Sou frágil demais. Somos frágeis demais. Não é uma fraqueza admitir tal característica própria de todo ser que tem vida, que pode respirar. Nada somos, além de pó. Se nesse instante, por exemplo, eu perdesse qualquer um dos meus movimentos, conheceria a invalidez em algum âmbito do meu corpo, uma parte dele estaria doente (logo, o funcionamento completo do meu corpo estaria comprometido), ainda que por fora (pela crosta externa) meu corpo pudesse ser visto plenamente inteiro. Se o meu coração parasse de bater…puf!…lá se foi a vida. Se o meu cérebro não pudesse mais pensar o que seria de mim? Somente alguém que existe, mas não tem ciência de sua existência.
A opinião acima foi expressa com o intuito de falar sobre a fragilidade humana, isso não tem nada a ver com força, nesse raciocínio a força não tem equivalência. A fragilidade nos faz humanos, vivos de certa forma. Imagine uma rosa, um ser vivo que respira e é dependente do fenômeno chamado fotossíntese, se ela perdesse uma de suas pétalas já não seria inteira. Seria como arrancar um braço dela, ou algo assim. Não conheço muito de plantas, não possuo conhecimentos biológicos para falar sobre isso, mas imagino que a falta de uma parte sua, de uma simples pétala, iria degrada-la dia após dia até a sua morte. As partes formam um todo que funcionam e trabalham em conjunto para formar aquilo que chamamos de sobrevivência. Se houver defasagem o conjunto irá perder uma parte que faz o todo funcionar. Não que ela seja a parte mais importante, mas como todas as outras é essencial, pois antes de serem um todo, juntas elas são um. Não imagino que uma mente tão pequena e limitada ( digo, limitada porque existem muitas coisas que jamais serão inteiramente compreendidas pela mente humana, ou pela sua ciência) como a que temos poderia pensar em algo tão genial e magnífico, do qual nunca conseguiremos ter completo entendimento. A fragilidade não se trata de perfeição, mas de ser desnudo (emocionalmente) em instantes, de admitir erros, de tentar lidar com as frustrações, de se amar mesmo com suas limitações, de tentar não cometer os mesmos erros. Lidar com a dor (senti-la), mas não idolatra-lá. A fragilidade é instante. É como pisar em ovos, literalmente.
Falar disso, me fez pensar em situações corriqueiras (na verdade, nem tão corriqueira assim) como a que exemplificarei abaixo:
Havia um poço. Você não sabia como sair dali. Um dia Alguém te resgatou daquele poço. Te trouxe novamente para superfície, onde você pôde respirar, cantar, se emocionar, sonhar ( com wonderful things). A vida se transformou num grito de esperança e renovo a cada dia. A vida cantava lindos versos de emoção para você. Você se via apaixonada pela vida. Se olhava no espelho e sentia vontade de abraçar cada pedacinho de você que foi feito a partir das Carinhosas mãos do Criador. “Tão única Ele te fez”, você pensava. Até que num dia corriqueiro, você ouviu alguém gritar por socorro. Corajosamente você seguiu os ecos do som, então chegou a um poço. Aquele poço no qual estivera presa antes. A voz vinha dali. Um rapaz gritava por socorro. Ele precisava de ajuda para sair dali. Você prestativamente deu a ele os mesmos conselhos que julgava ser os exatos para sair dali. Mais no meio disso, você se perdeu. Viu os olhos dele, se distraiu. Foi afundando aos poucos e não pôde ajudá-lo. Esqueceu de se manter viva. E apenas pensou sobre a sobrevivência dele. Se esquecer da sua própria sobrevivência, não te fez bem. Se não fez bem a você, não faria a ninguém. Você esqueceu de guiar aquele moço ao caminho real. Talvez você tenha se julgado ser o caminho. Mas você não era. Agora, você vem tentando sair do poço. E eu sei que você conseguirá, quando deixar de olhar para trás, e enfim olhar para frente.
Somos frágeis demais, não podemos tirar alguém do poço sozinhos (com nossas forças). Não podemos carregar o outro em nossas costas e ter força para continuar. Se esse alguém não quiser sair, também não podemos tirá-lo, senão acabaremos no fundo do poço junto com ele. Tudo o que podemos fazer é dar a ele a mão, se ele quiser. E permanecermos com a nossa mão agarrada Aquele que de fato, nos ajudará a sair dessa prisão. Aquele que é a nossa força. A mão dEle não nos deixará a mercê de nós mesmos, de nossas próprias forças. Você sairá desse abismo no fim de tudo, pois Ele está contigo.
Um momento escuro que vivi
A fama
Ser famosa aos olhos de alguém
Ter a atenção desse alguém
Se torna um vício, logo nos primeiros instantes.
Mas quando ao olhar desse alguém o brilho se dissipa…
Você sente falta dos aplausos e dos holofotes
No fim, é como se eles nunca tivessem existido.
Mas aquele que foi a estrela se encontra aqui, dependente de tudo isso.
